Tive uma epifania de como quero que a minha vida seja daqui a dez anos. Nunca tinha pensado muito nisto. Sou o caso típico de deixa andar, não fazer muitos planos porque isso é sinónimo de organização e seriedade, utilizando sempre a desculpa que sou novíssima. Já discuti os meus problemas com o envelhecimento algures neste blog.
Acho que pensamos naquelas coisas-tipo: uma casa, um carro, um emprego, casar e ter filhos. Espelhamos as preocupações dos nossos pais que correm pela casa com as contas da EDP em punho e dizem-nos para sermos médicos ou advogados. Quanto a mim, essa coisa de casar e ter filhos representa a vertente mais aborrecida da vida. Digo-o sempre e fica já aqui escrito, prometendo que isso servirá de mote para outro post.
Quando estamos a fazer os testes psicotécnicos no 9º ano, para sabermos qual o agrupamento que vamos escolher e que basicamente vai ditar toda a nossa vida académica, não nos lembramos do estilo de vida e da pessoa que queremos ser. Acho que até nos esquecemos um bocado daquilo que gostamos porque nessa idade nós somos acima de tudo, "pleasers".
Quando fiz os tais testes, o resultado foi 90% de inclinação para o 4º agrupamento, aquele que todos dizem que os miúdos burros vão por ser um agrupamento de letras. Havia este outro teste que me indicava ainda que eu seria jornalista ou mesmo escritora (pseudo-escritora, vá). Fiquei felicíssima. Aliás, ainda guardo esse teste, cujo papel até já está meio amarelado, o que deixa antever que o liceu remonta a tempos bíblicos. Assim como as minhas certezas absolutas. Agarrei-me a esse papel como se me definisse, a partir daquele dia.
Contudo, e outra coisa não podia ser esperada de mim, não tomei o caminho óbvio, na esperança que a instabilidade dessas carreiras já supracitadas não me atraísse tanto. Que pelo contrário, a estabilidade de outros caminhos não fizesse com que as tais contas da EDP fossem um problema e logo seriam definitivamente escolhas certas. Mas adivinhem só? You can run but you cannot hide. E mesmo apesar de parecer estúpido a todos, para mim faz todo o sentido. Aquelas cruzes que desenhei nas caixas de resposta quando tinha uns 12 ou 13 anos foram mesmo desenhadas a tinta permanente.
I guess I want a house of cards... and I'm ok with that.
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